Erros comuns ao precificar um imóvel e como evitá-los
- Anelise Vieira
- 22 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Na hora de vender ou comprar um imóvel, um dos maiores desafios é saber se o preço está justo. Uma precificação equivocada pode atrasar negociações, gerar prejuízos e até levar à judicialização do processo. A seguir, compartilho erros comuns que vejo com frequência no mercado, e como evitá-los com o apoio de uma avaliação profissional e imparcial.

1. Comparar apenas pelo preço do vizinho
É comum proprietários basearem o valor de seus imóveis em anúncios semelhantes na mesma rua ou prédio. Mas o fato de um apartamento vizinho estar anunciado por R$ 800 mil não significa que esse seja o valor real de mercado.
Exemplo real: Um imóvel anunciado por R$ 850 mil demorava meses para vender. Após avaliação técnica, descobriu-se que o valor justo era R$ 720 mil. Com o ajuste, a venda ocorreu em 15 dias.
2. Ignorar as particularidades do imóvel
Dois imóveis com a mesma planta podem ter valores bem diferentes. Acabamentos, estado de conservação, posição solar, vista e até vagas de garagem impactam diretamente no valor.
Situação comum: Um apartamento reformado com vista privilegiada no último andar, por exemplo, pode valer significativamente mais do que um no térreo, mesmo com metragem idêntica.
3. Desconsiderar a liquidez da região
Nem todo imóvel é de venda rápida. Áreas com pouca procura exigem estratégias específicas. Precificar acima do mercado só afasta potenciais compradores.
Alerta: Um imóvel residencial em região comercial pode ter baixa procura — e o preço precisa refletir essa realidade.
4. Misturar valor emocional com valor de mercado
Esse é um clássico. Aquele “mas eu morei aqui por 30 anos” não tem impacto no laudo técnico.
Realidade dura: O apego do proprietário não justifica sobrevalorização. O mercado é impessoal.
5. Basear-se apenas no valor venal
O valor venal usado para fins de imposto (como IPTU) não reflete o valor de mercado. Ele costuma estar defasado e segue critérios da prefeitura, não das condições reais do imóvel.
Dica: Nunca use o valor venal como referência de venda.
6. Negligenciar a avaliação de um perito
Seja para quem compra ou vende, contar com a avaliação de um especialista é decisivo. A análise técnica considera parâmetros objetivos, normas da ABNT, dados comparativos e realidade regional, trazendo segurança jurídica e transparência para todos os envolvidos.
Conclusão: A avaliação feita por perito é proteção contra prejuízos e base sólida para decisões conscientes. Ela previne surpresas, embargos e litígios desnecessários.
Como esses erros afetam o mercado imobiliário?

1. Desvalorização indireta de imóveis similares
Quando muitos imóveis são supervalorizados, permanecem por longos períodos no mercado, o que passa a percepção de que “ninguém está comprando”, mesmo que existam compradores ativos. Isso pressiona outros proprietários a reduzirem seus preços, gerando instabilidade.
2. Atrasos e retrabalhos em negociações
Compradores perdem tempo visitando imóveis fora da sua faixa real de valor. Vendedores perdem oportunidades por insistirem em preços acima do mercado. É o clássico “ponto morto” que trava o fluxo do mercado.
3. Dificuldade para financiamento
Quando a avaliação bancária identifica uma discrepância entre o valor de compra e o valor real de mercado, o crédito pode ser negado ou limitado — frustrando negócios que já estavam avançados.
4. Aumento de disputas judiciais
Tanto em inventários quanto em partilhas, heranças ou dissoluções de sociedades, uma má avaliação pode gerar conflitos legais longos e custosos, além de decisões judiciais baseadas em premissas incorretas.
5. Desconfiança e insegurança no mercado
Compradores atentos ficam inseguros ao ver imóveis claramente fora da realidade. Isso desacelera o ritmo das transações e afeta a credibilidade de corretores e plataformas de venda.
É por isso que o trabalho de um perito faz tanta diferença. A avaliação técnica não apenas protege compradores e vendedores, como também contribui para a transparência e o equilíbrio do mercado como um todo.
Conclusão
Evitar erros na precificação de um imóvel não é apenas uma questão de bom senso, é uma decisão estratégica que impacta diretamente no sucesso da compra ou venda. Como avaliadora de imóveis com experiência em avaliações judiciais e técnicas, meu papel é oferecer uma análise precisa, isenta e fundamentada, que protege todas as partes envolvidas e contribui para um mercado mais transparente e eficiente.
Se você está pensando em vender ou comprar um imóvel, conte com uma avaliação profissional antes de tomar qualquer decisão. O valor justo começa com um olhar técnico e comprometido com a realidade.
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