Regularização de Imóveis: Como Regularizar Seu Imóvel e Evitar Surpresas
- Anelise Vieira
- 1 de jun.
- 3 min de leitura

Documentação atrasada, construção sem habite-se e usufruto esquecido: o que parece burocracia pode inviabilizar seu negócio.
Imagine a cena: você encontra um comprador, negocia um bom preço, e tudo parece certo. Na hora de passar as escrituras, descobre que a casa de 235m² em que você mora há anos não existe para o cartório. Ou que a matrícula ainda está em nome de um familiar falecido porque o inventário nunca foi registrado. Isso acontece muito mais do que se imagina. E o pior: geralmente é descoberto na hora errada.
Se você está pensando em vender, financiar ou simplesmente quer ter certeza de que seu patrimônio está em ordem, antes de qualquer passo, é preciso olhar para dentro da documentação. E é sobre isso que vou falar hoje.
1. O Básico sobre a Regularização de Imóveis: A Matrícula do Imóvel
A matrícula é a certidão de nascimento do imóvel. Tudo o que acontece com ele - compra, venda, usufruto, penhora e construção - precisa estar registrado ali.
O que costuma estar errado ou faltando?
Falecimentos não registrados: Se o antigo proprietário morreu e o inventário não foi levado ao cartório, a matrícula ainda está no nome de quem já faleceu. Isso trava qualquer venda.
Usufruto não resolvido: O imóvel tem usufruto vitalício? Isso precisa estar claro, e a venda depende da renúncia do usufrutuário ou de acordo com o comprador.
Ônus e dívidas: Penhoras, hipotecas ou indisponibilidades também aparecem aqui.
Um diagnóstico técnico começa com uma matrícula atualizada. Sem ela, você está vendendo no escuro.
2. A Casa que Existe, mas Não Existe: A Importância do Habite-se
Você paga IPTU, a casa está lá, bonita e habitável. Mas para a lei, se não houver Habite-se, a construção é irregular. Isso significa que:
❌ Não pode ser financiada: Nenhum banco aprova crédito para um imóvel sem habite-se.
❌ Não pode ser averbada: A área construída não entra na matrícula, então o imóvel vale menos.
❌ Gera riscos futuros: Pode haver multas, embargos ou dificuldades para regularizar depois.
Regularizar a construção exige projeto, responsável técnico (engenheiro ou arquiteto) e aprovação na prefeitura. É um processo, mas é o que garante o valor real do seu imóvel.

3. O Tamanho do Investimento: Para Você se Preparar
Ser transparente é o tom do BlogHab, então vamos aos números aproximados, baseados na realidade de Porto Alegre para um imóvel de porte médio:
Engenheiro/Arquiteto (projeto + Habite-se): de R$ 5.000 a R$ 8.000.
ISS e taxas da Prefeitura: de R$ 3.000 a R$ 5.000.
INSS da obra (se a construção for recente): de R$ 8.000 a R$ 15.000.
Averbação no Cartório: de R$ 2.000 a R$ 4.000.
ART/RRT: de R$ 200 a R$ 400 cada.
Total estimado: O investimento para deixar tudo 100% regular pode ficar entre R$ 12.000 e R$ 25.000. Parece muito? Talvez. Mas um imóvel irregular vale menos e pode simplesmente não ser vendido.
4. E na Hora da Venda, Quem Paga o Quê?
É importante separar o custo da regularização (de responsabilidade do proprietário, que é quem coloca o imóvel em ordem) dos custos da venda (que ficam com o comprador):
ITBI (3%): pago pelo comprador.
Escritura e Registro: também pagos pelo comprador, na faixa de R$ 3.000 a R$ 5.000.
Ou seja, um imóvel regularizado é mais atraente e não assusta o comprador com custos ocultos.
5. A Importância de um Diagnóstico Completo
Antes de vender, é fundamental conhecer a real situação do seu imóvel. A regularização de imóveis não é um bicho de sete cabeças, mas exige método, paciência e conhecimento técnico. O primeiro passo é o mais simples: fazer um diagnóstico completo.
Com a matrícula em mãos e os dados da prefeitura, é possível saber exatamente:
O que está regular.
O que está pendente.
Quanto vai custar para resolver.
Se o imóvel está pronto para vender ou financiar.
Se você quer evitar surpresas desagradáveis e garantir que seu patrimônio vale o que realmente deveria valer, comece por aqui. O resto a gente resolve junto.
Anelise Vieira
CRECI 34.743 | CNAI 05.715
📍 Porto Alegre
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